Essa é uma postagem bem mais que especial, porque ela é dedicada a uma pessoa que foi pra mim, muito importante, por vários anos. Sabe quando você conhece um cara e na sua percepção ele é muita areia para o seu pobre caminhãozinho? Sabe quando de repente, esse mesmo cara começa a agir com você de uma forma diferente, carinhosa, atenciosa e da forma que você nunca imaginou que um dia ele pudesse fazer? Sabe quando depois tudo, o destino parece conspirar a seu favor e de repente você tem a rara chance de beijá-lo e num súbito momento de loucura você diz que não quer, embora no silêncio do seu coração exista um SIM gritando alto? Sabe quando entre você e ele há tantos olhares, há tantos sinais, há tanta atração, há tantas situações que te leva a acreditar que entre vocês existe uma conexão tão forte que a qualquer momento tudo resultará em uma grande história de amor, digna de ser contada em um filme? Sabe quando ele, por querer aumentar sua lista de “garotas idiotas que gostam dele” ou apenas pra elevar a autoestima, te enfeitiça e age de forma que realmente te faz acreditar que vocês nasceram pra ficar juntos, que embora ele fique com várias outras mulheres, inclusive algumas de suas amigas, você permanece sendo a que ele sempre vai olhar com paixão, com amor, com respeito e que vocês ainda não estão juntos porque, assim como em uma comédia romântica, a toda hora muitos obstáculos estão sendo colocados entre vocês, existem pessoas que conspiram contra e a cada dia tentam afastá-los um do outro? Sabe quando ele manda por e-mail fragmentos de poemas do tipo “Saudade é solidão acompanhada, é quando a amada já foi embora mais o amor permanece”, justamente na época em que você foi morar em outra cidade?
Sabe quando você vai a uma festa e lá o encontra e de repente ele, aparentemente, esquece tudo e todos e te chama pra dançar e juntos você tem a sensação de que vocês realmente combinam e que ele pensa da mesma forma? Sabe aquela sensação de paz, de segurança e de carinho que você sente todas as vezes que ele te abraça? Sabe quando depois de uma discussão pela internet ao se encontrarem vocês se tratam como se nada alguma dia houvesse acontecido e você sente que realmente não consegue ficar com raiva dele? Sabe quando de repente tudo o que você acreditava piamente se transforma em poeira e você descobre que todas aquelas sensações, todos aqueles olhares, todas aquelas situações não passaram de ilusões e que aquele cara que a princípio era muita areia para o seu pobre caminhãozinho ainda continua sendo muita areia, talvez até o dobro de areia que era antes?
Pois é, eu passei por isso e as vezes chego a acreditar que ainda não fui capaz de superar tudo.
No final das contas, perdi o que nunca tive, me dissolvi em lágrimas, tentei encontrar uma solução, aceitei o doloroso título de apenas amiga, na tentativa de pelo menos assim tê-lo por perto e depois disso tudo percebi que a história que, na minha percepção, tinha tudo pra terminar com uma música romântica e um beijo lindo de amor, tornou-se apenas um amontoado de desilusões. O que fazer então, quando tudo o que você acreditava acaba assim de uma hora pra outra? O que fazer com todas aquelas sensações que tão carinhosamente você abraçou e guardou em seu coração apenas para se sentir viva? O que fazer com todas aquelas certezas que te fazia seguir em frente quando você sentia-se frágil demais pra prosseguir? O que fazer com todas aquelas imagens dele te olhando com afeto e sorrindo pra você em meio à multidão como se dissesse: “Estou com você”? O que fazer com todos aqueles anos que você acreditou que ele gostava de ti? Como dá as costas a todo esse sentimento e seguir em frente?
Como diz a música: “Descobri lindas mentiras tão terríveis quanto belas. Diga o que fazer então, se são memórias tão reais, do que nunca aconteceu. Desenhei miragens tolas, nas margens do seu deserto e uma verdade impossível só pra ter você por perto”.
Então é isso. Pra você querido, que um dia foi minha mais linda “quase história de amor”, pra você que fez parte dos meus sonhos noites a fio, pra você que mesmo longe sempre esteve bem perto de mim, pelo menos nos meus sentimentos, pra você que me olhou, me abraçou, segurou a minha mão e me fez acreditar que juntos poderíamos ir a qualquer lugar mesmo que fosse em outro planeta. Pra você que me fez suspirar todas as vezes que sorria pra mim, que me fez ver tudo mais colorido todas as vezes que disse algo carinhoso e dançou comigo, pra você que um dia me fez sentir segura ao me abraçar forte, pra você que um dia foi tão importante e que agora tenho que virar as costas e seguir em frente, eu dedico esse poema:
“ Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausta. No entanto, a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados. Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada. Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encontrarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só, como os veleiros nos pontos silenciosos. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.”
(Martha Medeiros)





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