Mas, como nem tudo na vida são flores, existe um tipo de amor diferente, o que você encontra, mas você não é encontrado. Como disse a protagonista do filme O amor não tira férias: “ Há também um outro tipo de amor, o do tipo mais cruel, aquele que quase mata suas vítimas, mais conhecido como : Amor Não Correspondido. Esse é o amor que faz alguém se apaixonar sozinho, tornando-as vítimas do amor que não é recíproco.” O amor não correspondido mata mais do que acidente de carro, dói mais que dor de dente, sufoca mais do que fumaça, destrói mais do que qualquer outra coisa, porque primeiro ele te consome por dentro, pouco a pouco, sem pena, sem receio, sem pudor, em seguida te imbeciliza e te torna fraco, te faz rastejar. E não adianta correr, não adianta tentar fugir, não há medicamento em nenhuma farmácia ou em análise em laboratórios na galáxia inteira, que possa trazer a cura. Bem, se existisse uma premiação para a pessoa que mais sofreu desse tipo de amor, sem dúvida eu ganharia. Talvez eu tenha esse dom ou essa maldição, defina como quiser, de sempre gostar de quem não gosta de mim. As sensações são sempre as mesmas, borboletas no estômago, tremores constantes nas mãos, olhares cautelosos e frequentes, sorrisos involuntários, suspiros incontidos e por aí vai. De repente, a decepção. Você descobre que não é recíproco, que você está solitário no meio do sentimento, então, o seu coração fica apertado, tudo fica meio que preto e branco, você busca soluções, traça novas rotas, tenta táticas de conquista e continua lá, amando sozinho. Você busca alternativas com seus amigos e a resposta é sempre negativa, você busca nas letras das músicas algo que te estimule a seguir em frente, e tudo o que consegue é ficar deprimido, você usa sua arma secreta e aí descobre que nada resolve e que aquela arma secreta na verdade era algo bem previsível. E então, você sente-se de joelhos no chão em um quarto escuro e descobre que aquele é o tal “ fundo do poço”. Daí você chora, se desespera, se recusa a aceitar, relembra algum raro momento feliz junto da pessoa, na tentativa de encontrar algo que seja sua salvação e no final das contas tudo o que você encontra é o vazio. Algumas pessoas, por serem mais fortes, mais decididas ou mais qualquer coisa, conseguem enxugar as lágrimas, respiram fundo, aceitam a realidade por mais dura que ela possa ser e decidem seguir em frente. Elas de alguma forma misteriosa, encontram um punhado de coragem em meio a destruição e aos estilhaços de coração partido, agarram-se fortemente a essa coragem e aos poucos levantam-se e seguem uma nova vida ou pelo menos tentam, o que já é um grande passo.
Outras pessoas, porém, por não conseguirem entender e aceitarem de forma mais racional que algumas pessoas não nasceram para ficarem juntas, perdem-se delas mesmas e dedicam-se a negra sensação de perda. Eu mesma já passei por essas duas situações, uma vez na tentativa insana de encontrar o amor eu me deparei mais uma vez com esse tipo de sentimento. Amei e não fui amada em troca, daí quando percebi isso me pus em estado de replay, voltando dia após dia em um círculo vicioso, na tentativa vã de encontrar algo em que eu poderia me agarrar para sempre. Abracei cada momento como quem abraça um amigo distante, revivi profundamente cada sensação como se uma após a outra tivesse acabado de acontecer, embalei carinhosamente cada memória como quem põe pra dormir uma frágil criança. E lá estava eu, perdida e sozinha. Daí depois de um bom tempo tentando encontrar o caminho que me levasse ao amor correspondido, entendi que eu girava em círculos e que daquela forma eu jamais poderia ser feliz, quando dei por mim meus princípios haviam sido, a muito, lançados ao vento, minhas aspirações eu havia guardado de forma amontoada em um lugar bem pequeno, afinal, um coração precisa de espaço pra amar e tudo o que eu estava fazendo era mendigar o amor de uma pessoa que estava ocupada demais pra olhar pra mim, estava longe demais pra que eu pudesse trazê-lo para perto. Então, eu me agarrei no ultimo fiapo de amor próprio que eu encontrei e decidi me reerguer. Como disse a protagonista do filme Ele simplesmente não está afim de você: “ Talvez o final feliz não inclua um cara maravilhoso, talvez dependa só de você, talvez esteja por sua conta juntando os pedaços e recomeçando, se libertando para achar uma coisa melhor no futuro. Talvez o final feliz seja só seguir em frente ou talvez seja apenas saber que mesmo com ligações sem retornos e corações partidos, apesar de todos os erros e sinais mal interpretados, apesar de toda dor e constrangimento você nunca, nunca perdeu a esperança.”
E é isso, depois de perceber a que papel eu estava me prestando, eu ergui os olhos, respirei fundo e segui em frente. Sei que vez ou outra o finado, como eu costumo chamar, volta de sua catatumba direto do Triângulo das Bermudas ou da Pensilvânia, mas, por mais que algumas vezes eu seja surpreendida por um reflexo de tudo que passou e seja assombrada em noites melancólicas e nostálgicas por esse sentimento, ainda assim, quando o dia nasce tudo é levado embora, o sentimento que até então me mortificava é levado pra longe, distante o bastante pra que eu não veja nem a sombra e tudo de certa forma se torna uma coisa qualquer. Como diz Rita Lee: “Um dia depois, tudo vira bosta.” E eu sigo em frente, com a esperança inabalável de um dia ser amada em troca. E se por acaso você está amando e não está sendo correspondido, e se por acaso você já fez de tudo pra essa pessoa e mesmo assim ela não sente nada por você, então, tá esperando o que pra abandonar esse caminho e seguir em um outro diferente?


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