terça-feira, 17 de maio de 2011

Distante de Nós Mesmos...

             Algumas vezes na vida nos sentimos distantes demais de nós mesmos. Tão distantes, que poderia ser construída uma megalópole nessa lacuna. É como se todos nós de uma forma ou de outra estivéssemos sempre à procura de um lugar a qual pertencemos, como uma sombra à procura do seu próprio corpo. E por mais estranho que isso tudo possa parecer, todos nós já passamos ou ainda vamos passar por isso, mais cedo ou mais tarde. Dante uma vez disse: “ Na metade da minha vida me achei numa selva densa”.


         Eu particularme, vivo me encontrando nessa selva densa. Já me perdi de mim mesma várias vezes, acho que até mais vezes do que eu gostaria. E o que eu fiz? Rezei. Na tentativa de achar o caminho de volta eu apenas tentei me acalmar e respirei fundo. Quando você se perde o difícil não é estar de fato perdido, e sim perceber que você já se afastou um pouco demais de você mesma. Muitas pessoas não conseguem discernir que se perderam e seguem para sempre longe delas mesmas, longe de seus sonhos, longe de suas aspirações mais íntimas, longe de tudo que acreditavam ser necessárias em suas vidas.


                Eu tinha alguns sonhos e eu estava decidida. O meu plano consistia em seguir em frente e só pararia quando eu tivesse chegado lá, quando eu tivesse realizado cada um dos desejos. E então eu viajei para o DF, e minha jornada teve início. Daí se passaram 6 meses e, os sonhos que eram tão intensos na minha cabeça baixaram a voz. Depois mais 6 meses se passaram, formando assim 1 ano, e a voz dos meus sonhos que antes havia baixado um pouco, naquele momento não passava de um mero sussurro. Eu acordava cedo, descia as escadas meio que tropeçando nos degraus por ainda está com sono, depois de me arrumar eu tomava café sem degustar, pois já estava atrasada demais pra isso, depois escovava os dentes na pressa, pegava minhas coisas e corria para o ponto de ônibus. Já no ônibus passava mais tempo tentando não cair, por estar muito lotado, do que realmente pensando na vida, tentando me encontrar. Então, um certo dia eu parei pra pensar em tudo que havia planejado no começo da jornada e, a única conclusão que cheguei foi que eu já estava a milhas de distância de mim mesma a muito tempo. Eu não parava mais pra olhar o quão bonito o dia havia amanhecido, eu já não parava pra olhar as diferenças físicas que o tempo estava trazendo para meu corpo, eu não lembrava mais qual era a minha meta principal, eu não sabia mais quem eu era. E lá estava eu, no meio de uma selva densa, mais perdida do que cego em tiroteio.


             Um ano e meio depois eu já estava quase pesquisando no “Google Earth” uma forma de me encontrar, talvez com a ajuda do satélite eu pudesse encontrar o lugar a qual eu pertencia. Quando isso acontece não há como dizer exatamente como cada um vai reagir, algumas pessoas ao encontrarem-se perdidas não fazem nada, acomodam-se lá mesmo onde estão e continuam, pois para elas continuar de onde estão é mais fácil do que voltar ao começo. Outras pessoas porém, não conformadas com a perda delas mesmas, retornam ao começo na intensa tentativa de não se perderem jamais. E foi aí que, partindo da segunda opção eu decidi mergulhar na viagem em busca de mim mesma. Retornei ao princípio e acabei descobri que o fundo do poço não é o final, que na verdade é parte de um túnel que te leva diretamente ao recomeço. E como todos sabem, é lá no recomeço que você encontra a luz, encontra seus princípios perdidos, seus sonhos distantes, encontra a estrada que te leva a uma nova jornada e acima de tudo, encontra a si mesmo





Um comentário:

  1. Nossa cada dia mais inspirada em.... Amiga visita lá o meu blog... to começando a mexer nele... deixei la nos seus scraps o endereço... Bjsss

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