Era 12 de outubro de 1986, tudo estava em silêncio. Aff! Tá bom!. Nem tudo estava em silêncio, principalmente lá, naquela maternidade. O relógio com seu tic tac contínuo, de repente marcou meia noite e vinte cinto e então, a história de uma pessoa começou a ser contada. Não se sabe dizer se lá fora chovia ou não, se fazia frio ou calor, se as estrelas estavam cintilantes ou se estava nublado, não se sabe contar se a lua estava exuberante ou se era lua nova, a única coisa que era certa naquele momento é que ela nascera. Na verdade, EU nasci.
O nascimento de uma criança é sempre uma festa, afinal de contas, é um vida nova, um ciclo novo, é como uma planta nova que acaba de germinar, é a esperança sendo renovada. Talvez pra criança não seja um acontecimento tão poético assim, aposto que se fosse ela não choraria tanto né? Ok! De qualquer forma, eu havia nascido. Por incrível que pareça na maternidade só havia uma criança nascendo naquele exato momento, o que foi uma boa porque assim a atenção foi toda dedicada a minha pessoa, mas, onde estavam as outras crianças? Como assim? Em uma cidade repleta de mulheres e muitas delas grávidas prestes a ter um bebê, como é possível que naquele momento só houvesse eu e minha mãe? É uma coisa engraçada de se pensar, mais é verdade. Eu era a única. Como se fosse a primeira e a última. Eu estava só. O lado bom disso? Ah! É claro que tem, o berçário era somente meu, todinho só pra mim, eu era a TODA PODEROSA! Pelo menos, naquele momento. Depois daquele dia tudo começou. Aquela menina cresceu um pouco mais a cada primavera, em pouco tempo começou a sorrir com frequência, aprendeu a se levantar sozinha, mesmo que segurando em alguma coisa pra poder ter firmeza. Aprendeu a andar, logo depois a correr e a medida que o tempo passava ela sentia-se mais forte, mais cheia de energia, mais qualquer coisa que nem ela mesma sabia decifrar. De repente, não mais que de repente, a pequena menina já estava andando de bicicleta e sabia escrever muitas palavras, de repente a criança que havia nascido solitária já possuía muitos coleguinhas, e foi aí que ela começou a entender o significado de tudo que a rodeava. Advinha o que aconteceu? Ela começou a definir sua personalidade. Em poucos anos, de garotinha passou a pré adolescente, depois a adolescente de fato, e então nessa fase ela conheceu algo que nem imaginava que existia... Sim. Ela conheceu os vislumbres passageiros da eternidade, que somente as paixões possuem. Nem sei dizer a minha idade, nem a situação primeira em que tudo aconteceu, a única coisa que sei é que meus olhos abriram-se pra algo difícil de entender, era ela, sim era ela. A complicada e irresistível paixão. Bem, depois falamos com mais riquezas de detalhes sobre a paixão, mas por enquanto vamos seguir em frente. Depois da paixão veio a decepção. Engraçado, as duas palavras terminam com “ÃO”, isso nos remete a algo intenso né?! Dá a impressão de que é uma coisa grande. E advinha o que acontece quando você se decepciona com algo? Isso mesmo. Você é embebida por um sentimento tão “ÃO”, que acaba acreditando que nunca vai acabar. Enfim. Depois de adolescente, ela se tornou quase adulta e hoje é uma adulta de fato. A sua essência é exatamente a mesma, ela continua acreditando que os sonhos são realizáveis, que algodão doce na verdade são pedacinhos de nuvem, que a bondade sempre vencerá a maldade, que o vento sempre trás alguma resposta e que a vida tem que ser intensamente vivida.
A pergunta é: porque será que mesmo acreditando em tantas coisas a criança-mulher às vezes se sente perdida demais, sozinha demais, incompreendida demais e longe demais de si mesma? Será a vida uma eterna coletânea de dúvidas? Aposto que aquela criancinha jamais seria capaz de imaginar que um dia resolver suas dúvidas seria mais difícil do que aprender a falar, a andar ou a equilibrar-se em sua bicicleta rosa.
A pergunta é: porque será que mesmo acreditando em tantas coisas a criança-mulher às vezes se sente perdida demais, sozinha demais, incompreendida demais e longe demais de si mesma? Será a vida uma eterna coletânea de dúvidas? Aposto que aquela criancinha jamais seria capaz de imaginar que um dia resolver suas dúvidas seria mais difícil do que aprender a falar, a andar ou a equilibrar-se em sua bicicleta rosa.
O.O
ResponderExcluirNuss!
Fiqei sem palavras!
Tá perfeito mana.